sexta-feira, 29 de junho de 2012

PARA QUEM PAGAMOS NÓS OS IMPOSTOS ???


Capa dos jornais de 2012/06/29
Jornal de Noticias e Correio da Manhã


Perdoam-se luvas e pagam com os nossos impostos a ladrões ; ‘ (

Deixo um poema de Ana Wiesenberger para meditarem... 
O meu país está a saque
Não da vontade do povo
Não da democracia
Mas da mão pútrida, encartada
Dos eleitos que nas urnas granjearam a maioria

As contas do hospital, que dávamos como pagas
Aparecem com novos talões pormenorizados
Para servirem as leis do hoje
Para cobrarem as urgências médicas do ontem
Legitimadas pela sede estatal
De encher os cofres

Há pessoas incriminadas
Por meterem ao bolso, uma embalagem no supermercado
E no entanto, ilibam-se desvios bancários consideráveis
Faltas à verdade
Dos que juraram defender a constituição

Há jornalistas sob o alvo da manipulação e da chantagem
Dos detentores de poder
E quando se arrojam a perfilhar, direitos há muito adquiridos
Acabam vexados e diminuídos
As instâncias reguladoras só agem
Em prole do bom nome
De quem manda

Neste país que viveu décadas de cárcere
E mandíbulas cerradas de medo
Neste país que ousou sonhar e acreditar na liberdade
Neste país que foi feliz um dia
Querem de novo vencer-nos pela mordaça
Triturar-nos as vontades
Entorpecer os nossos passos

E é tudo mais penoso de crer
Porque julgáramos ter aberto as cancelas
E ter voz
Porque julgáramos ver nos nossos governantes
Uma nobreza de horizontes
Que afinal era fictícia

E é por isso
Que me dói o peito
Se só oiço o grito
Portugal, Portugal
Quando a fauna privilegiada domina os relvados
Com um rigor de sorte

28-06-2012
Ana Wiesenberger
Vídeo sobre o Império Financeiro que te pode abrir os olhos

3 comentários:

  1. Também partilhei estes títulos das capas dos jornais e continuo a revoltar-me com este estado de impunidade, que não muda, seja quem for que esteja no (des)governo e na AR!
    Faz-me mal à alma ver tanta hipocrisia, vampiragem,... continuada e perpetuada!... Não me conformo e não desisto!!!

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  2. (...) desde de Montesquieu que se defende a independência dos poderes estruturantes - Executivo; Legislativo e Judicial - do Estado de Direito. Acontece que os exemplos de impunidade em que a Justiça tem deixado muitos dos actos cometidos por políticos, ou por gente ligada ao poder e com poder, à margem da Lei, ou protegendo-se pela Lei que produzem, tem intensificado o debate sobre se a esta (a Lei) se deve ou não moralizar.
    E com alguma pertinência eu relembro a ideia, que defende : "que nem sempre o que é legal é moralmente justo" que embaraça muitas vezes o Estado de Direito quando este se vê submetido ao exercício de uma política declaradamente interesseira, da qual conhecemos inúmeros exemplos. ... e eu revejo-me plenamente nesta afirmação à qual muitos "acontecimentos" sociais e políticos, em plena Democracia, fazem jus.

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  3. (...) Zé, fugindo ao discurso formalizado com que todos nos exprimidos quando abordamos estes assuntos,eu vou comentá-lo partindo de uma associação livre mas que radica na história cultural da Europa e do Mundo Judaico Cristão.

    Imagina um Mundo medieval onda a lógica existencial, e a Ordem político-social, dependeu de uns "pensadores" que à falta de esclarecimento científico criaram uma Verdade tão sofisticada que lhes permitiu condicionar o livre pensamento e organizar a vida das pessoas na aceitação por essa Ordem, cuja recompensa seria a eternidade. Tendo em conta a evolução é possível reconhecer ainda hoje, já com nomes distintos, alguns dos conceitos estruturantes daquela Ordem. Creio que alguns ainda se mantêm em largas franjas da sociedade crente.
    Vejamos então que sem necessidade de uma teoria especulativa poderemos estabelecer as seguintes analogias, entre o PECADO ORIGINAL(muito desgastado pelo laicismo do Estados) para a Ordem Divina e, a RIQUEZA, para a Ordem Capitalista. Ambos em tempos diferentes, representam, inegavelmente objectivos supremos para a Vida. Ou seja, o que em tempos idos se pensava e fazia orientado na esperança da redenção dessa mácula,(o pecado original) com que existimos enquanto criaturas de Deus, hoje age-se e pensa-se na esperança de enriquecer para fugir à condição "pecaminosa" de trabalhador. E se ontem a superstrutura dessa Ordem era um inexplicável e dominante ser transcendental a que alguns sabiam interpretar os testemunhos, em particular os do Livro, hoje ela é uma objectiva concentração e internacionalização da riqueza, por uma Ordem sofisticada cujos instrumentos são variados e poderosos na criação de uma mentalidade que não ponha em causa, a riqueza material, como fim supremo,da realização pessoal em si mesmo. Dito filosoficamente, que não ponha em causa este sentido para a vida. Já que o acto de possuir é ilimitado para esta Ordem capitalista como se constata.

    Aqui chegados, percebemos então os paralelismos conceptuais entre uma e outra Ordem. Se antes foi o indiscutível "pecado original" que nos condicionou a existência e nos fez permanecer naquela Ordem muitos séculos, hoje é a quase "indiscutível" Ordem capitalista "origem da riqueza" que nos condiciona a vida ao suplicio da sua materialização. Nem mais !!! À imagem de um qualquer Deus que nos estigmatizou pelo pecado original, do qual nos libertamos pela aceitação de um Destino que cumprido nos premiará com a salvação eterna, o Capital financeiro, criou uma Ordem económica na base de riqueza "imaterial" sobre a forma de moeda - supliciando-nos pelo trabalho, com direitos mínimos, sem proteção, sem controle do tempo, à materialização dessa riqueza, como garantia do pagamento da dívida pela nossa existência ... sempre com objectivo da riqueza, no horizonte, como modo pelo o qual ,a materialização da vida, o mesmo é dizer: o consumo, nos aproxima dos deuses.

    E é esta Ordem com escala internacional que é preciso " desendeusar" numa luta que se fará obrigatóriamente pela transformação das mentalidades em cuja estrutura, se afirmem conceitos de cooperação e solidariedade sustentados por uma obrigatória e mais justa distribuição da riqueza.


    Um abraço

    Nota: ocorrer-me este paralelismo que entendi levar ao papel- à escrita- e que espero não tenha destoado muito, dos comentários mais conformes, pela linguagem, com as matérias de denúncia e pela militância contra o Estado da Democracia neste país e no Mundo.

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