terça-feira, 1 de novembro de 2011

O PÓS 25 de ABRIL de 1974

 

Imagem do 1º comunicado do 25 de Abril de 1974

Nos futuros compêndios de História poderão resumir o pós 25 de Abril de 1974 em escassas linhas:
Após o Verão Quente de 1975 entre forças revolucionárias e forças moderadas, pela ocupação do poder, civis e militares chegaram ao outono a contar espingardas. O confronto tantas vezes anunciado pareceu por fim inevitável, quando, na madrugada de 25 de Novembro, tropas pára-quedistas ocupam diversas bases aéreas, na expectativa de receber apoio do COPCON. Mas um grupo operacional de militares, chefiado por Ramalho Eanes e Salgueiro Maia, liquidou a revolta no ovo, substituindo o PREC (Processo Revolucionário em Curso) pelo “Processo Constitucional em Curso”.

Cronologia após 25 de Abril de 1974:
Em 11 de Março de 1975, as desinteligências no seio do Movimento das Forças Armadas agudizaram-se. De um lado encontravam-se, os militares mais moderados, que posteriormente se viriam a organizar em torno do «Documento dos Nove»; do outro, os afectos à linha das democracias populares próxima dos modelos da Europa de Leste e os defensores de uma linha mais populista e radical.
Pouco tempo depois dos incidentes de 11 de Março de 1975 e antes das eleições para a Assembleia Constituinte, o Movimento das Forças Armadas negociou com os partidos um acordo constitucional. Segundo este, a futura Constituição integraria os princípios do MFA. O acordo foi aprovado e assinado a 11 de Abril de 1975, pelo PS, PPD, PCP, MDP/CDE e FSP.
Esta foi a "melhor" solução para a coligação entre militares e partidos, pois o sector mais radical do MFA considerava prematura a realização de eleições já em Abril e alegava com o obscurantismo do povo em certas zonas do país. Para que o sufrágio eleitoral fosse aceite, os militares impuseram que a Constituição consagrasse o programa do MFA e as medidas políticas entretanto tomadas, como por exemplo, as nacionalizações. Também, e segundo o acordo estabelecido, o presidente da República passaria a ser eleito por um colégio eleitoral, constituído pela Assembleia do MFA e pela futura Assembleia da República.
O segundo pacto realizado entre o MFA e os partidos (PS, PPD, CDS, PCP e MDP/CDE), e assinado em 26 de Fevereiro de 1976, constituiu um recuo em relação ao primeiro. Assinado já num clima de maior estabilidade, manteve a imposição da existência de uma fase transitória do Conselho da Revolução, que embora com poderes mais limitados, passaria a assumir as funções de órgão auxiliar do presidente da República e de órgão legislativo para as questões militares. Enquanto isso, o MFA remetia-se ao papel de salvaguarda das instituições democráticas, abandonando o de motor da revolução. Quanto à eleição do presidente da República, passava a ser efectuada por voto directo dos cidadãos eleitores.
Mas a escalada dos sectores mais radicais continuava. No 1.º de Maio de 1975, a Intersindical apresentou-se como central única dos trabalhadores, com o apoio do MFA e do PCP, tendo Mário Soares e Salgado Zenha sido impedidos de discursar. No seguimento da ocupação do jornal República pelos trabalhadores conotados com a extrema-esquerda, em 19 de Maio de 1975, o PS abandonou o IV Governo Provisório, alegando não conseguir impor a legalidade no jornal. O PPD seguiu-lhe o exemplo.
Estes abandonos provocaram a queda do IV Governo e a consequente formação do V Governo Provisório, regulado por uma base partidária muito restrita: PCP e MDP/CDE. As críticas e as manifestações públicas contra o V Governo Provisório, o PCP e a « extrema-esquerda » subiram de tom.
O Conselho de Revolução, numa reunião em 27 de Maio, decidiu calar o MRPP. Forças militares do COPCON, comandado por Otelo Saraiva de Carvalho atacam o MRPP.
A 28 de Maio, foram presos 400 militantes do MRPP, na sua maioria estudantes, em Lisboa. Entre os detidos, Arnaldo Matos e José Pires presos pelo Sargento Vara ( Tio do “senhor” Armando Vara ) em Mirandela e levados para Vinhais, onde estava instalada a 5º Divisão “ Companhia de Engenharia de Tancos” e depois transferidos para a prisão de Caxias.
O MRPP teve o 1º preso político depois do 25 de Abril de 1974 o Dr. José Luís Saldanha Sanches, marido da Dr.ª Maria José Morgado, recentemente falecido a 14 de Maio de 2010. O motivo foi o artigo com o título “Nem mais um embarque para o Ultramar” no Jornal “Luta Popular”, em que apelava à deserção em massa.
Em Julho de 1975, num comício do PS realizado na Fonte Luminosa, Mário Soares pediu o afastamento do primeiro-ministro, Vasco Gonçalves. A Assembleia do MFA aprova, a 8 de Julho de 1975, o «Documento-Guia da Aliança Povo-MFA», favorável ao poder popular e em Agosto sai um documento do COPCON na mesma linha de orientação.
A 6 de Agosto é a vez dos militares moderados se pronunciarem: nove militares do Conselho da Revolução, entre eles Melo Antunes, Vasco Lourenço e Vítor Alves com o apoio de outros militares como Ramalho Eanes e Salgueiro Maia, publicaram o que ficou conhecido como «Documento dos Nove». Nele demarcam-se tanto do modelo das chamadas democracias populares da Europa do Leste, como do modelo social-democrata.
Defendiam um projecto nacional de transição para o socialismo «inseparável das liberdades, direitos e garantias fundamentais».
A ocupação da Rádio Renascença por forças da extrema-esquerda, os ataques às sedes de partidos marxistas, no norte e centro do país, as incursões às sedes dos sindicatos, a divisão entre os militares, as inúmeras greves, as ocupações de terras, o cerco à Assembleia da República criaram um cenário de instabilidade que marcou o «Verão quente» e conduziu ao 25 de Novembro.
O mês de Novembro foi fértil em acontecimentos decisivos para o rumo do país:
A proclamação unilateral (pelo MPLA) da independência de Angola, a 11.
O cerco da Assembleia Constituinte pelos trabalhadores da construção civil, a 12.
O cerco do próprio Governo Provisório, por deficientes das Forças Armadas e, a 24, uma manifestação de agricultores que corta, em Rio Maior, os acessos a Lisboa.
A 25 de Novembro os pára-quedistas insubordinam-se em Tancos e na RTP aparece um oficial da 5.ª divisão do Estado-Maior General das Forças Armadas a ler mais um comunicado de apoio ao «poder popular». Mas a tentativa de golpe protagonizada por unidades militares afectas ao PCP é rapidamente travada pelas tropas coordenadas por Ramalho Eanes e outros militares moderados. A derrota dos militares revoltosos encerrou um ciclo da vida política portuguesa.
Desta forma o 25 de Novembro abriu, decididamente, um caminho favorável à estabilidade e à consolidação de um regime político de democracia parlamentar.
DESDE ESSA ALTURA ATÉ À DATA DE HOJE, O PAÍS TEM SIDO DESGOVERNADO PELO PSD, PS e CDS e CHEGAMOS A ESTA SITUAÇÃO MISERÁVEL BEM CARACTERIZADA NO VIDEO!


Todos com siglas diferentes e TODOS com as mesmas politicas !

O € também já acabou !!!

6 comentários:

  1. Olá! Boa noite!
    José Pires, dei uma volta neste seu espaço e gostei! Parabéns!
    Como é que consigo ler o 1º comunicado do MFA, gostava muito de ter acesso ao documento.
    Um abraço
    João Felgueiras

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  2. Obrigado pelo comentário no blogue; aqui só HÁ VERDADES !
    João eu posso enviar o 1º comunicado do MFA.
    Deixe o seu e-mail em:
    ze.pires.ericeira@gmail.com

    Um abraço LIVRE e de LIBERDADE !

    Zé Pires

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  3. Caro José Pires,

    Felicito-o por esta apresentação,que prima pelo rigor sem tendência expressa. Ainda não fácil encontrar escritos isentos e fiáveis das épocas da guerra do Ultramar e do período do PREC. Costuma haver demasia da paixão que prejudica a isenção e o rigor.

    Um abraço
    João

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  4. Amigo João Sores obrigado.

    Eu, primo SEMPRE pela VERDADE que me é possível.
    Na altura que prenderam o Arnaldo Matos eu pertencia à F.E.M.L. e tinha 16 aninhos, o local exato foi em Benlhevai concelho de Mirandela.
    O COPCON estava quase a transformar isto na CUBA da Europa !

    Não estou arrependido de nessa altura ter lutado e ter APOIADO o General Ramalho Eanes. O atual PCTP/MRPP também lhe deu apoio em 1976 !
    Tinha como mandatário o Joaquim Letria [pessoa ainda mais baixa do que eu e com quem me congratulo ter conversado. Ah eu meço 1,69 m e… as pessoas NÃO SE MEDEM AOS PALMOS a não ser que seja da cabeça para o infinito do Universo : ) ]

    Um abraço LIVRE, de LIBERDADE e de VERDADE !
    Zé Pires

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  5. Esta história professor José Pires é-me tão familiar, foram-me contadas tantas histórias do MRPP, tão interessantes e como já contei meu irmão Eduardo também era do MDPCDE, COM BARRA OU SEM, TANTO FAZ. Dei de beber à dor, nas noitadas em que combinavam as táticas lá na minha casa e fiz ainda muitos petiscos para gente que lutava na altura pelas causas que descreve. Eu estava também na comissão instaladora do sindicato dos professores - ZONA NORTE. E anda roda não desandes porque pelos vistos o MRPP entrou na minha vida em cheio e conheço gente muito boa que pertenceu ao partido. Parabéns pelo artigo, que oiço relatar em segunda versão.

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  6. Zé.. lê meus textos sobre tudo isso e completa o que tens escrito.
    Existe muita ferramenta de trabalho de intervenção que nunca apareceu em documentários ou noticiário na mídia.
    Segredos que o Estado teima em esconder, por interesse e oportunismo mas que eu estarei disposto a revelar. É disso que eles tem medo!

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